23 de setembro de 2013

Saudade infundada

Sinto saudades de momentos que nunca existiram.
De palavras que nunca foram ditas, de passos que nunca foram dados.
Sinto saudades de pessoas que nunca se foram - e que, na verdade, nunca estiveram presentes.
Sinto saudades da leve brisa soprando, fazendo mexer as recém cortadas faixas de grama cobertas por um orvalho caído de olhos tristes, que embora conhecidos, nunca foram meus - e pensando bem, nunca foram visto por meus simplórios olhos.
Sinto saudades daquela tarde simples de inverno, que cheirava a doce e indiferença.
Mas, na verdade, não cheguei a inalar tais odores.
Sinto saudades de (in)significantes "olás" dos quais a sonoridade nunca alcançou meus ouvido e de um "adeus" que nunca ousou fujir de minha boca.
Sinto saudades de um leve e indireto toque de mãos que inspirava o futuro, mas foi deixado no passado e recriado no presente.
No entanto, tragicamente, nenhum de tais tempos pertenceu-me algum dia.
Sinto saudades de pessoas, sentimentos, momentos, locais, odores, sons, atitudes.
E nenhum deles existiu.
Ao menos, não para mim.
Ao menos, não em mim.
Talvez estejam guardados para um breve futuro.
Para um tempo em que a palavra "saudade" não terá mais um significado prático.
Um futuro doce.
Lindo.
Calmo.
Onde idealizações poderão tornar-se realidades.

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(Saudade infundada; Dayenne Vieira)

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