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2 de março de 2014

Resenha #20: Terras Metálicas



Título: Terras Metálicas
Autor: Renato C. Nonato
Editora: NovoConceito
ISBN: 9788576797968
Páginas: 616
Ano: 2012
Pontuação: ♥ ♥ ♥ ♥

O mundo que conhecemos hoje não existe mais. A Última Guerra acabou com a vida sustentável do planeta, deixando para os humanos uma única opção: viver no sub-solo, em uma atmosfera artificial denominada Esfera.


"No alto, a iluminação era produzida por milhares de chapas de metal com células fotossensíveis acopladas nelas. A imagem era a representação do céu, onde se via nuvens e até um sol com ponteiros, que indicavam as horas. Raquel suspirou com a visão e, como fazia toda manhã, pensou que seria muito bom viver em um mundo onde aquelas representações fossem desnecessárias."

Terras Metálicas conta, em terceira pessoa, a história de Raquel, uma jovem habitante deste mundo utópico, que está prestes a iniciar uma nova etapa em sua vida. Todos os habitantes da esfera, quando chegam a uma certa idade - entre 12 e 13 anos; o livro não deixa claro - passam por uma cerimônia de implantação, que decidirá qual rumo tal pessoa tomará. Nesta cerimônia, o formando descobre qual será sua habilidade, dependendo da resposta que seu corpo dará ao chip implantado. As habilidades são divididas em: Túneis, Bios, Antenas, Sibérios e Exilados. O sonho de Raquel é tornar-se uma Túnel, assim como seus pais, e a ansiedade desse acontecimento toma conta da menina durante todo o início do livro.


"E naquele momento Raquel pecebeu, pela primeira vez, que após a cerimônia eles começariam a tomar rumos diferentes. Haveria novos conhecimentos, novas descobertas."

Mas, nenhuma ansiedade ou preocupação pode ser comparada a de descobrir que a vida perfeita na esfera pode desaparecer. E em breve.
O autor nos leva por um caminho de descobertas, novos caminhos e fatos inesperados. E isso, é claro, na companhia de Raquel e seus amigos.


"Às vezes, nem toda dedicação do mundo é capaz de resolver um problema."

Todos os personagens são originais e extremamente cativantes. Raquel é dona de uma personalidade forte, é daquelas que parece dura por fora, mas por dentro possui um coração mole. Ângelo é o amigo inteligente e super fofinho. Tales, o divertido. Camila, a amiga apoiadora... E assim vai. Todos eles possuem algo que é só deles, que os fazem únicos. Até mesmo as mascotes robôs dos personagens possuem uma personalidade única. Por isso, quando terminei a leitura, bateu aquela saudade...

Renato soube me surpreender - mais até que alguns autores consagrados no mercado -, me deixando boquiaberta e emotiva em muitos momentos.
Embora o livro seja voltado ao público juvenil, em nenhum momento a narrativa se torna boba. Pelo contrário, a narrativa é séria (com momentos de descontração, é claro) e "firme", de certa forma. 



A história foi muito bem construída, com início, meio e fim bem definidos, e com riqueza de detalhes. Em nenhum momento o livro deixou de ser interessante. Os acontecimentos te prendem até o último minuto, até a última linha.
Embora o final do livro tenha realmente deixado um espaço para isso, não imaginei que ele haveria uma continuação. Porém, levando em conta algumas opiniões que vi por aí, parece que o livro terá sim uma continuação (para a alegria de nós, leitores \o/). 

Vale citar também o ótimo trabalho feito pela Novo Conceito. O livro tem páginas amareladas, as orelhas são grandes, a capa tem detalhes em alto relevo... Tudo lindíssimo!

Renato me surpreendeu com um enredo e personagens bem originais, que deixaram saudades em mim.
Essa é mais uma prova de que vale muito à pena acreditar na literatura nacional.

3 de fevereiro de 2014

Resenha #19: O Prisioneiro Do Céu

Título: O Prisioneiro Do Céu
ISBN: 978-85-8105-073-7
Páginas: 248
Editora: Suma De Letras
Ano: 2012
Pontuação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥










A vida parecia bem para Daniel Sempere e Fermín Romero de Torres. Daniel, casado com uma belíssima mulher, Bea, e pai de um lindo bebê; Fermín prestes a se casar com a mulher que ama, Bernarda. Fora a venda baixa na livraria do pai de Daniel, a vida ia muito bem. Mas tudo muda quando um estranho entra na livraria, compra um exemplar de O Conde De Monte Cristo - o mais caro da loja - e deixa-o lá mesmo para ser entregue a Fermín, e com uma dedicatória no mínimo estranha.




Daniel fica preocupado com o amigo que, na verdade, já não estava muito bem há um tempo. E é ao consultar Fermín que Daniel vai descobrir coisas que jamais imaginou terem acontecido. O passado dos dois amigos será desenterrado.
Grandes mistérios da vida de Fermín são revelados, e grandes descobertas aparecerão na vida de Daniel.


"Os fatos tinham ocorrido havia quase vinte anos e o tempo me condenou ao papel de simples espectador num espetáculo que acabaria tecendo os fios do meu destino."

A narrativa é feita em partes em primeira pessoa, por Daniel, em partes por um narrador em terceira pessoa. Daniel narra o presente (1957), e o outro narrador, o passado (a partir de 1939).
Nunca havia lido nada do autor, mas Zafón me surpreendeu muito. A narrativa me levou completamente à Barcelona de 1957. A descrição dos locais, e principalmente a maneira de falar dos personagens... Tudo foi muito bem escrito, e fez com que eu me sentisse no meio dessa antiga Barcelona. Além disso, Zafón usa frases de grande impacto, que levam o leitor à reflexão.


"Tudo se perdoa nessa vida, menos dizer a verdade."

O livro é uma boa dica para quem gosta de O Conde De Monte Cristo, pois possui algumas influências do mesmo (vi apenas o filme, não li o livro).

Os personagens são bem construídos, cheios de personalidade. Daniel é um personagem muito simpático. Fermín também não fica para trás, com sua personalidade um pouco "cômica" (ao menos foi o que achei). Além disso, a amizade entre os dois é linda.

O Prisioneiro Do Céu faz parte de uma trilogia, composta também por O Jogo Do Anjo e A Sombra Do Vento. O livro é o terceiro da série, e eu não sabia disso ao fazer a compra. Porém- como foi alertado nas primeiras páginas - a leitura foi tranquilíssima e não fiquei perdida em nenhum momento por não ter lido os outros dois livros. É claro que só vou ter uma visão realmente completa após ler toda a trilogia, mas ainda assim, digo novamente que isso não tornou a leitura menos gratificante.



Outro ponto bem interessante foi descobrir o porque do título do livro. Quem seria O Prisioneiro Do Céu? (Vou deixar vocês curiosos agora, hahaha)

Infelizmente, não posso dar mais detalhes do livro aqui, já que por se tratar de um livro de descobertas e segredos antigos, qualquer informação que eu diga a mais pode ser tida como spoiler.

O Prisioneiro Do Céu é uma leitura agradável, atrativa e fluída. Os capítulos são curtos, o que faz com que a leitura flua ainda mais rápido. 

Carlos Ruíz Zafón conquistou mais uma leitora.



12 de janeiro de 2014

Resenha #18: Eu Sou O Número Quatro (Os Legados de Lorien - Livro Um)

Título: Eu sou o Número Quatro
ISBN: 9788580570137
Páginas: 352
Editora: Intrínseca
Ano: 2011
Pontuação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥











John Smith é um adolescente como qualquer outro. Gosta de festas, de conhecer pessoas, de interagir com outros. E ele realmente seria um garoto normal, se não fosse uma coisa: John não Pertence à terra.
John - ou Quatro, como é chamado originalmente - é um dos poucos lorianos ainda vivos. Depois que os Mogadorians, aliens inimigos, atacaram e destruíram seu planeta natal - Lorien - ele e outros dezessete habitantes do planeta foram enviados à terra, com o intuito de salvar a espécie. Nove deles ainda eram crianças quando seu planeta foi destruído. Estes são chamados Gardes, seres capazes de desenvolver legados - ou poderes. Cada Garde possui seu Cêpan, uma espécie de Guardião.

A guerra iniciada em Lorien ainda não terminou. Mesmo após serem enviados à terra, os Garde continuam sendo caçados pelos Mogadorians. Porém, os jovens lorianos têm algo a seu favor: eles só podem ser mortos na ordem crescente de seus números. A cada Garde morto, os outros recebem uma cicatriz em seu tornozelo. Os números Um, Dois e Três foram mortos. Agora é a vez de caçarem o Número Quatro.

"O Número Um foi capturado na Malásia. O Número Dois, na Inglaterra. E o Número Três, no Quênia. Eu sou o Número Quatro. Eu sou o próximo."

Durante todo o tempo que estiveram na Terra, Quatro e Henri - seu Cêpan - estiveram fugindo, mudando suas identidades e não permanecendo em uma cidade por mais que seis meses. O diferencial agora é que após se instalar em uma cidadezinha em Ohio, fazer amizades e se apaixonar, John não quer mais se mudar, não quer mais fugir. Ele quer ficar e lutar. Para isso são necessários dias e dias de treinamento, ao qual nós, leitores, acompanhamos de perto. Além disso, o personagem começa a descobrir quais são e como controlar seus legados e o leitor também acompanha toda essa descoberta. Apesar de o livro não conter muita ação, acompanhar esse desenvolvimento faz com que a história seja bem agradável.


"Quando você perde a esperança, você perde tudo. E quando você achar que tudo está perdido, quando tudo estiver terrível e desolador, sempre há esperança.”

Nunca fui fã de histórias sobre extraterrestres, ou coisas do tipo, mas isso não impediu que eu me envolvesse - e muito! - com a história de Eu Sou O Número Quatro. Até porque, tanto John como Henri e os outros lorianos são tão humanos quanto todos os outro personagens quando se trata de sentimentos. Isso sem contar que John é um daqueles personagens que te cativam de cara, que não tem como não amar, que merece ser guardado em uma "caixinha" na sua memória.

Vale também mencionar, como ponto positivo do livro, os personagens secundários, que são muito bem construídos. Sam, por exemplo, que é um dos amigos de John. Mencionei ele em uma tag que fiz recentemente aqui no blog. Um personagem fofo e bem peculiar, que só acrescentou à história.

Notei apenas duas coisas que enfraqueceram um pouco a história. Primeiro, o fato de o protagonista ter apenas quinze anos de idade. Nada contra a idade em si, mas John é um personagem tão maduro, tão certo do que quer, que eu nunca imaginaria ter quinze anos se isso não fosse mencionado. Segundo, o romance, que achei fraco, sem graça demais.



Ah, algo que deve ser ressaltado: Não julgue o livro pelo filme.

Sei que essa já é uma regra geral para leitores mas, especificamente nesse caso, não tire conclusões precipitadas sobre o livro por ter visto o filme. O roteiro retirou tanta coisa da história original, que a tornou sem graça e incoerente. Porém, o que sobra no livro é coerência, já que o leitor tem uma visão completa dos fatos e isso torna a leitura muito empolgante.


Eu Sou O Número Quatro pode ser definido como uma história diferente, envolvente e cativante. A escrita é leve, sem ser sem graça. Uma leitura fluída, que te deixa apreensivo, ansioso por mais. Estou louca para ler os outros livros da série e posso afirmar com toda certeza que Eu Sou O Número Quatro já é um de meus queridinhos.

------------------Já leu ou quer ler o livro? O que achou da resenha? Deixe seu comentário aqui em baixo! ;)


9 de janeiro de 2014

Resenha #17: Água para Elefantes


Olá, leitores!
Cá estou eu novamente para resenhar mais um livro pra vocês, que máximo! Mas antes de tudo, gostaria de agradecer os comentários no meu primeiro post aqui e dizer que fiquei muito feliz pela aceitação que recebi. Obrigada, de coração! Agora vamos ao que interessa: o livro que eu trago hoje é Água para Elefantes, escrito pela Sara Gruen e meu xodó! Vou contar pra vocês o que eu achei dele. Vamos lá?


Ficha Técnica
Título: Água para Elefantes
Autor: Sara Gruen
ISBN: 9788599296158
Ano: 2012
Páginas: 272
Editora: Sextante
Pontuação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥



Sinopse

Desde que perdeu sua esposa, Jacob Jankowski vive numa casa de repouso, cercado por senhoras simpáticas, enfermeiras solícitas e fantasmas do passado. Por 70 anos Jacob guardou um segredo. Ele nunca falou a ninguém sobre os anos de sua juventude em que trabalhou no circo. Até agora.

Aos 23 anos, Jacob era um estudante de veterinária. Mas sua sorte muda quando seus pais morrem num acidente de carro. Órfão, sem dinheiro e sem ter para onde ir, ele deixa a faculdade antes de prestar os exames finais e acaba pulando em um trem em movimento - o Esquadrão Voador do circo Irmãos Benzini, o Maior Espetáculo da Terra.

Admitido para cuidar dos animais, Jacob sofrerá nas mãos do Tio Al, o empresário tirano do circo, e de August, o ora encantador, ora intratável chefe do setor dos animais.

É também sob as lonas dos Irmãos Benzini que Jacob vai se apaixonar duas vezes: primeiro por Marlena, a bela estrela do número dos cavalos e esposa de August, e depois por Rosie, a elefanta aparentemente estúpida que deveria ser a salvação do circo.

"Água para Elefantes" é tão envolvente que seus personagens continuam vivos muito depois de termos virado a última página. Sara Gruen nos transporta a um mundo misterioso e encantador, construído com tamanha riqueza de detalhes que é quase possível respirar sua atmosfera.

Resenha

Confesso pra vocês que eu não sou muito fã de capas de livros com fotos dos atores que interpretam os personagens no filme. Parece que nossa mente já fica com aquelas características pré-estabelecidas e o trabalho de imaginar como eles seriam nos é poupado - e nesse caso essa não é uma coisa tão boa. Mas em Água para Elefantes, em minha opinião, esse detalhe não roubou a cena e não desmereceu o livro que possui as folhas amareladas - muito melhores para ler do que as brancas -, fonte e espaçamento ideais e os capítulos muito bem separados. Em questão de arte da capa e características físicas do livro ele ganhou uma estrelinha pelos belos atributos.

Focando um pouco mais no enredo, Sara Gruen nos apresenta os bastidores do mundo do circo. As relações entre os artistas e os trabalhadores, a crueldade com os animais, as brigas e intrigas e eles, principalmente, os romances. Quando pesquisei um pouco antes de comprar o livro, imaginei que fosse tratar o assunto Circo de forma superficial e focaria mais no romance entre Jacob e Marlena ou até mesmo na relação do protagonista com Rosie, a elefanta... Mas me enganei. O cenário é muito bem delineado e conseguimos imaginar claramente tudo o que ocorre dentro dos vagões do trem, da Tenda Principal e da Tenda secundária. Pra quem se interessa sobre o assunto, o livro trás informações reais e características verdadeiras sobre o mundo circense.

O livro possui personagens de todos os tipos: adoráveis, detestáveis, céticos, encantadores e abomináveis. Mas acredito que minha opinião é parecida com a da maioria: Rosie dá todo o charme e diferencial do livro. O casal protagonista também é muito simpático e a história deles é palpável e nada clichê. O personagem que eu mais odiei foi o August e se vocês lerem o livro (ou algumas outras resenhas por aí) vão entender perfeitamente o motivo. 

Eu levei alguns dias para ler o livro por realmente querer estender a leitura. Eu me apeguei tanto àquele mundo que eu simplesmente não queria que acabasse. Mas por gostar tanto do que eu estava lendo, não consegui me demorar muito. Em uma semana, no máximo, eu já conhecia toda a história de Jacob. Achei a leitura agradável e nada maçante. Os detalhes apresentados são grandes aliados na hora de construir a imagem em nossa cabeça.

De toda a história, nós podemos aprender um pouco sobre vários aspectos da vida. Por exemplo, Jacob estava quase se formando veterinário e viu-se perdido com a morte dos pais, o que é uma situação muito comum hoje em dia - não pela situação em si, mas existem vários casos parecidos. A mudança repentina levou nosso protagonista a um caminho totalmente novo e, ao final de tudo, ele sofreu bastante, mas também obteve muita felicidade e histórias pra contar. Porque às vezes a vida nos parece já estar escrita, parece que já temos nosso caminho todo diante de nós, mas nos esquecemos de que isso é apenas ilusão, de que nós podemos ser surpreendidos a qualquer momento... E isso não quer dizer que seja necessariamente ruim. Além disso, Água para Elefantes mostra como um amor pode resistir a tempos difíceis e vemos nitidamente a relação entre humanos e animais, nos fazendo repensar em muitas coisas.

Por fim, acredito que vocês devem ler o livro porque a história é envolvente e tem muito a acrescentar a quem lê. Conhecer esse lado nada glamouroso do circo e todas as situações ao redor na época em que o livro é narrado nos faz olhar a vida com outros olhos. Vale muito à pena a leitura!


Quotes

"A idade é um ladrão terrível. Justamente quando se começa a entender melhor a vida, a idade nocauteia suas pernas e arqueia suas costas. Ela lhe traz dores, lhe confunde a cabeça e silenciosamente espalha o câncer em sua pessoa."

"Na verdade, não é que eu tenha esquecido, simplesmente deixei de prestar atenção." 

"Minhas banalidades não lhes interessam e dificilmente eu poderia culpa-los por isso. Minhas histórias reais estão defasadas. E daí que eu posso falar em primeira mão da gripe espanhola, do advento do automóvel, das guerras mundiais, das guerras frias, das guerras de guerrilha e do Sputnik? Agora, tudo isso é história antiga. Mas o que mais eu tenho a oferecer? Nada de novo me acontece. Essa é a realidade do envelhecimento, e acho que essa é a questão essencial. Ainda não estou preparado para ser velho.”

“Quanto mais perturbadora a lembrança, mais persistente a sua presença.”

Recadinhos

Não esqueçam de comentar o que acharam e se gostariam de ver algo diferente nessa parte do blog, a opinião de vocês é muito importante. Para quem quiser visitar meu blog, basta clicar aqui. Todas as fotos desse post (exceto o gif a seguir) são minhas e você encontra mais delas no meu Flickr

Espero que vocês tenham gostado! Beijão!




2 de janeiro de 2014

Resenha #16: O Céu Está Em Todo Lugar

Clouds

Olá, leitores!

Eu sou a Brendha, do blog Only B, e vim contar uma super novidade pra vocês: a partir de hoje, todas as quintas-feiras eu postarei resenhas aqui! Legal, né? Estou muito contente e espero que vocês gostem das minhas leituras e opiniões. Então, sem mais delongas, vamos ao que interessa: hoje eu trago a resenha do livro "O Céu Está Em Todo Lugar", escrito pela Jandy Nelson.

Ficha Técnica
Título: O Céu Está Em Todo Lugar
Autor: Jandy Nelson
ISBN: 9788563219374
Ano: 2012
Páginas: 424
Editora: Novo Conceito
Pontuação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥












Sinopse


"Eu deveria estar de luto, não me apaixonando. Às vezes é preciso perder tudo, para encontrar a si mesmo..."

Lennie Walker, obcecada por livros e música, tocava clarinete e vivia de forma segura e feliz, à sombra de sua brilhante irmã mais velha, Bailey. Mas quando Bailey morre de forma abrupta, Lennie é lançada ao centro de sua própria vida, e, apesar de não ter nenhum histórico com rapazes, ela se vê, subitamente, lutando para encontrar o equilíbrio entre dois: um deles a tira da tristeza, o outro a consola. 

O romance é uma celebração do amor, também um retrato da perda. A luta de Lennie, para encontrar sua própria melodia em meio ao ruído que a circunda, é sempre honesta, porém hilária e, sobretudo, inesquecível. 

"Às 16h48 de uma sexta-feira de abril, minha irmã estava ensaiando para o papel de Julieta e, menos de um minuto depois, estava morta. Para minha surpresa, o tempo não parou com o coração dela. As pessoas continuaram indo à escola, ao trabalho, a restaurantes; continuaram quebrando bolachas salgadas em suas sopas, preocupando-se com as provas, cantando nos carros com as janelas abertas. Por vários dias, a chuva martelou o telhado da nossa casa - uma prova do terrível erro cometido por Deus. Toda as manhãs, quando me levantava, ouvia as incessantes batidas, olhava pela janela para a tristeza lá fora e me sentia aliviada, pois pelo menos o sol tivera a decência de ficar bem longe de nós."


Resenha

O livro me conquistou pela estética - à primeira vista - e também pelo conteúdo, mas foi além disso... Eu consegui me encantar com Lennie que se viu sem rumo ao perder a irmã, porque até então ela vivia escondida atrás das ações da mesma, e principalmente com a evolução da personagem ao perceber que precisava se encontrar. Em minha opinião, ela fez isso com maestria e usando uma ferramenta que (sou suspeita a falar, mas...) é mágica: a escrita.

A história conta sobre a morte de um ente querido, um assunto muito delicado, de forma respeitosa e sem aquele drama excessivo. Porque o luto é, sim, um estado de pesar, porém a vida continua, como a própria Lennie, protagonista da obra, frisa num trecho citado na sinopse. 

O inusitado da história é que a mocinha acaba se envolvendo emocionalmente com o ex namorado de sua recém falecida irmã - que também era sua melhor amiga... Os dois estão vivendo um momento muito difícil (ambos perderam alguém que amavam) e acabam encontrando consolo um no outro. 

Ao longo do livro, a gente entra no coração da protagonista, passa a seguir os passos dela e a leitura vai fluindo rapidamente, com um ritmo gostoso. Ao longo do livro, existem algumas ilustrações que dão um charme à obra, que são os bilhetes que a Lennie deixa por aí - num papel de bala, num guardanapo... São palavras que ela espalha pelo mundo. Adorei muito isso na obra!

Uma coisa eu adianto: não esperem acabar de ler um capítulo e sentir aquela vontade incessante de começar o outro (aquela sensação de que temos que ler mais porque NÃO DÁ pra continuar vivendo sem saber o que acontece a seguir). O livro não tem disso. O que acontece é que a história é tão leve, tão gostosa, a narrativa é tão deliciosa que a gente vai lendo e, sem perceber, devora capítulos e mais capítulos em pouquíssimo tempo. 

Eu demorei uns 3 dias para ler o livro (pelo que eu me lembro) e, se não tivesse parado a leitura diversas vezes para fazer outras coisas, acredito que teria lido em menos tempo ainda. 

Se você ainda não leu, recomendo fortemente a leitura. É algo bem leve, simples, com uma mensagem bonita. Tento não dar muitos spoilers pra não estrar a experiência de vocês, mas eu já aviso que eu achei o livro apaixonante.

Sky
Quotes
"Por vários dias, a chuva martelou o telhado de nossa casa – uma prova do terrível erro cometido por Deus."
"Todas as manhãs quando me levantava, ouvia as incessantes batidas, olhava para a janela, para a tristeza lá fora e me sentia aliviada, pois pelo menos o sol tivera a decência de ficar bem longe de nós."
"Quando Joe toca seu trompete, eu caio da minha cadeira de joelhos, quando ele toca, todas as flores trocam de cor e anos e décadas e séculos de chuva voltam para o céu.
É aí que me dou conta."
"Minha irmã vai morrer todos os dias, pelo resto da minha vida. A dor dura para sempre. Não desaparece nunca; torna-se parte de nós, a cada passo, a cada suspiro. Nunca vai parar de doer Bailey, porque nunca vou deixar de gostar muito de você. É assim que é. A dor e o amor caminham juntos, um não existe sem o outro. Tudo o que posso fazer é adorá-la e amar o mundo, imitar seus passos ao viver com ousadia e força e alegria." 
"Mas o que foi isso novamente? Será que posso rir assim com tanta felicidade? E é para eu estar me sentindo tão bem assim, como se mergulhasse num rio de águas frescas?"
Ps: Eu li o livro há um tempo e já tenho essa resenha (com algumas modificações) no meu blog e como passei a última semana sem internet e não pude preparar nada exclusivo pra vocês, resolvi postar essa mesmo :/ Mas na semana que vem vou trazer uma resenha fresquinha, aguardem! 

Espero que tenham gostado!

Até semana que vem :D 

12 de dezembro de 2013

Resenha #15: Um Dia

Título: Um Dia
ISBN: 9788580570458
Páginas: 416
Editora: Intrínseca
Ano: 2011
Assunto: Literatura Estrangeira / Romance












Duas pessoas. Vinte anos. Um dia por ano na vida de cada um deles.
Assim é narrada a história de Um Dia.

Emma Morlei e Dexter Mayhew se conheceram no último dia da faculdade, ficaram juntos, e desde então têm mantido contato.
Emma têm uma certa "queda" por Dex, porém eles são totalmente diferentes. Enquanto Emma é intelectual e, de certa forma, nada otimista, Dexter é fã de loucuras, bebidas e acredita que tudo sempre acabará bem para ele. Dex, embora não assuma, também fica mexido com Emma, porém ele não gosta de se sentir preso a nada nem ninguém. Ainda assim, eles se tornam grandes amigos – Em e Dex, Dex e Em. Sempre escrevendo ao outro, Dex contando de suas viagens pelo mundo e Em de seus trabalhos infelizes.

No início do livro, os personagens estão no auge de sua juventude, com seus vinte e dois ou vinte e três anos. É maravilhoso acompanhar o crescimento – ou às vezes nem tanto crescimento assim – dos personagens. A cada capítulo, a cada dia 15 de Julho, ficamos sabendo o que mudou na vida deles durante o último ano, acompanhando-os em suas buscas, sejam elas profissionais ou amorosas.

Os personagens não são lá essas coisas. De um a dez, note seis para eles. Emma, embora seja inteligente e – talvez – carismática, não sabe o que quer da vida, e seu instinto derrotista é forte demais em certos pontos do livro. Mas, calma lá, eu não a odiei. Só não acho que ela seja minha “mocinha favorita”.
Já Dexter é extremamente despreocupado com a própria vida, é do tipo “sou o cara”, e às vezes acaba menosprezando os outros ao seu redor. Ainda assim, não acho que ele seja um personagem totalmente ruim. Ao longo da narrativa, podemos ver que ele não é uma má pessoa, mas que apenas não sabe como agir quando confrontado com certas situações – mal orientado, talvez?

“Embora não fosse sentimental, havia ocasiões em que Dexter podia ficar quieto vendo Emma Morley rir ou contar uma história e saber com absoluta certeza que ela era a melhor pessoa que conhecia. Às vezes quase tinha vontade de dizer isso em voz alta, interrompê-la para fazer essa afirmação.”

Já vou lhe preparando: não espere um conto de fadas. Um Dia é o tipo de livro real, nem otimista, nem pessimista. Realista. Intenso. Especial.

Tanto Em como Dex sofrem muitas decepções ao longo do livro; decepções com outros e, principalmente, consigo mesmo. Na maior parte do tempo, eles não são quem gostariam de ser, não têm o que gostariam de ter, nem estão com quem gostariam de estar. Eles simplesmente ainda não acharam onde a vida deles se encaixa neste mundo. O problema é que o tempo passa, e eles não vão ser jovens para sempre.

A escrita de David Nicholls foi a melhor surpresa do livro. É profunda e com um certo “tom” irreverente. Ela te transporta para onde os personagens estão. Faz com que o leitor entenda quem realmente são Em e Dex – o que é difícil quando se trata de uma narrativa em terceira pessoa. É aquele tipo de escrita único, que você bate os olhos e diz: “Uau. Esse cara nasceu pra escrever”.

Li o livro em pouco tempo, uns três ou quatro dias, se não me engano. A única coisa que consegui fazer quando terminei foi chorar, ficar paralisada e pensar cada vez mais na vida. Na minha vida. Na vida de Dex. Na vida de Em.

Já vou lhe avisando: você só tem duas escolhas. Ou você vai amar ou odiar Um Dia.


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Ps: Deixe um comentário, crítica ou elogio aqui em baixo. Isso com certeza fará uma blogueira muito feliz! :)

25 de novembro de 2013

Resenha #14: Perdão, Leonard Peacock


Título: Perdão, Leonard Peacock

Autor: Matthew Quick
ISBN: 9788580573954
Páginas: 224
Edição: 1ª
Tipo de capa: Brochura
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Assunto: Literatura Estrangeira/Romances








 

Hoje, Leonard Peacock completa dezoito anos e, nesse dia tão importante, ele dará um "presente" a si mesmo. Qual o presente? Leonard matará seu ex-melhor amigo, Asher Beal, e logo após, se suicidará. Porém, antes disso, ele tem outa missão a cumprir: entregar um presenta a cada um de seus únicos quatro amigos. Algo que faça com que eles lembrem-se de Leonard, depois que ele se for. Leonard conta, aos poucos, quem são esses amigos e como cada um deles exerceram uma influência positiva em sua vida. Mais que tudo, Leo deseja que seus amigos saibam que o que ele fará a seguir não é culpa deles.
       Um desses grandes amigos é Herr Silvermann, seu professor de Holocausto. Leo acredita que seu professor é um dos poucos - raríssimos! - adultos realmente felizes. Herr Silvermann é um personagem notável e que será de grande importância nessa história.


"Tenho vontade de sacar a P-38 e explodir suas cabeças superidiotas, porque Herr Silvermann é o único professor que se preocupa conosco e se dá o trabalho de demonstrar isso para nós; e esses meus colegas estúpidos usam isso contra ele. É como se as pessoas realmente quisessem ser maltratadas."

Com uma mãe ausente - que se preocupa mais com seu trabalho de estilista e seu namorado do que com o filho - e um pai que, quando vivo, era alcoólatra e um astro do rock decadente, é de se imaginar que Leo não tenha tido uma infância muito boa. Ele observa constantemente os adultos, e o mundo ao seu redor, e acaba convencendo-se de que não há nada no futuro que seja tão bom a ponto de mantê-lo vivo até lá. Para ele, o futuro é ainda mais sombrio que o presente.


"Mas esses adultos de terno só ficam ali sentados, ou de pé, de vez em quando lendo o jornal com uma expressão infeliz, clicando com raiva na tela de seus Smartfones, tomando café de queimar a língua em copos descartáveis, e quase nem piscam. Observá-los me deixa tão triste que e faz querer nunca me tornar um adulto. faz com que eu acredite que usar a P-38 é o melhor a ser feito."

Para tentar mudar sua visão do mundo, Leo escreve cartas do futuro para si mesmo, que são extremamente interessantes e emocionantes ( é meio complicado, mas você entenderá bem melhor ao ler o livro). 


"Eu sei que você mal está suportando.

Mas, por favor, aguente mais um pouco.
Por nós.
Por si mesmo."

No decorrer da história, fui aprofundando-me cada vez mais na mente de Leonard, entendendo seus medos, suas aspirações, suas opiniões... Foi como se eu estivesse caminhando pela incrível e perturbada mente de Leonard. Matthew têm esse talento incrível, de fazer com que mergulhemos fundo na mente de sus personagens (digo isso pois tive a mesma sensação ao ler a história de Pat Peoples, em O Lado Bom Da Vida).
Desde o início do livro, algumas perguntas insistiam em assombrar minha mente: Leonard cumprirá sua "missão" e se matará, ou algo/alguém o salvará desse trágico destino?  O que, de tão terrível, aconteceu a Leonard para que ele pensasse em suicídio? O que o levaria a matar alguém que um dia foi seu melhor amigo?
As respostas foram, para mim, totalmente imprevisíveis, mantendo por um bom tempo um ar de mistério na história.
Perdão Leonard Peacock é uma história sensível, real, profunda e surpreendente. É um daqueles livros que fazem-no entender melhor o ser humano, suas atitudes, nossas atitudes. Se você gosta de livros assim, Perdão Leonard Peacock deve entrar na sua estante - agora mesmo.

9 de novembro de 2013

Resenha #13: Extraordinário


Preciso iniciar esse post dizendo que Extraordinário é um dos melhores livros que li esse ano - aliás, um dos melhores livros que já li! Então, me perdoem se a resenha ficar um pouquinho grande. O livro merece.
Vamos lá?
Extraordinário conta a história de August (Auggie) Pullman, um garoto de dez anos que nasceu com uma deformidade facial, devido a uma síndrome genética rara. August passou por diversas cirurgias desde seu nascimento  e, embora sua aparência e saúde tenham melhorado, o rosto do menino ainda é completamente diferente do normal. 


"- Você vai ser sempre assim, August? Quer dizer, você pode fazer plástica ou coisa do tipo?Sorri e apontei para o meu rosto.- Oi? Isso é depois da plástica!"

Por isso, Auggie nunca frequentou uma escola e recebia aulas de sua mãe, em casa. Porém, agora, os pais do menino acreditam que ele já está pronto para frequentar a escola, que o convívio com outras crianças será bom para o seu crescimento. Essa ideia assusta extremamente a August. Porém, com muito custo, seus pais conseguem convecê-lo, sob a condição de que ele poderia desistir da escola a qualquer momento, desde que tenha um motivo justo para isso.



"- Todo mundo vai ficar olhando para mim na escola - falei, começando a chorar."

Daí, o livro narra o primeiro ano de August na escola. Auggie passa por situações realmente difíceis, como, por exemplo, ser conhecido, porém rejeitado, por praticamente todas as crianças de sua escola. Ainda assim, ele descobre que frequentar a escola pode ser duro, porém recompensador. Durante a leitura, nos surpreendemos junto com Auggie com o rumo de certos personagens, de certas atitudes ao seu redor. 

Todos os personagens do livro são super cativantes. Todos, até mesmo os "vilõezinhos" me prenderam de alguma maneira. 
Uma das coisas mais interessantes no livro é o fato de ele ser dividido em oito partes, narradas por seis pessoas diferentes, sejam amigos, parentes ou conhecidos de Auggie.


"É difícil não dar uma segunda olhada. É difícil agir normalmente quando você vê o August." 

Os diferentes narradores nos fazem entender melhor como é a vida de Auggie, como as pessoas em geral reagem quando o vêm, como eles mesmos reagiram quando o viram à primeira vez. A capacidade de adaptação da autora chamou minha atenção (amo analisar a capacidade de adaptação dos autores em geral, como já devem ter percebido). A cada personagem, uma narrativa nova, diferenciando um personagem de outro. Além disso, o livro não é daqueles que vêm e, sem mais nem menos, te passam uma daquelas lições de moral. Não. O livro trás uma ótima lição, mas que é revelada com cuidado e aos poucos. E aliás, é uma linda lição.

Terminei a leitura do livro em três dias - não porque o livro não merecia ser lido em menos tempo, apenas por que não pude lê-lo em menos tempo. Consegui rir, chorar e ficar tensa durante a leitura. Não há como não se comover.
Ah, não poso deixar de ressaltar o trabalho magnífico feito pela Editora Intrínseca (como sempre). O livro é lindo, lindo, lindo! Cada detalhe, muito bem pensado.













É difícil definir Extraordinário em outra palavra senão seu próprio nome. Extraordinário! Porém, também é possível defini-lo como "humano". Sim, aquele livro que te faz ver o mundo, as pessoas, a si mesmo de outra maneira. De maneira mais humana, mais gentil.

Acha que é um bom livro? Leia e surpreenda-se ainda mais!

Ps: O livro está por 11,92 no Submarino! [Link]

29 de outubro de 2013

Resenha #12: A Menina Que Roubava Livros



Uma pequena alemã, que não sabe ler - mas que ainda assim, inicia sua carreira de ladra de livros -, "abandonada" pela mãe comunista e adotada por um casal totalmente desconhecido, em plena alemanha nazista. Essa é a história de Liesel Meminger, A Menina Que Roubava Livros.


Vamos entender melhor essa história?

Liesel Meminger é uma menina de mais ou menos doze anos de idade (não me lembro exatamente) que, junto com seu irmão, acaba de ser mandada por sua mãe - perseguida pelo nazismo, por ser comunista - para seu novo lar, onde serão adotados por Hans e Rosa Hubermann. Porém, um imprevisto acontece durante a viagem, o que causa a morte do irmão de Liesel e também dá o pontapé inicial para uma longa história. Porque? Porque é durante esse acontecimento que Liesel rouba seu primeiro livro, o Manual do Coveiro. 
Liesel sempre tem pesadelos, ligados à morte de seu irmão, e quem a acompanha na superação de tais medos, é seu pai adotivo, Hans Hubermann. Hans é um pintor muito gentil, que sempre ajuda Liesel, seja deitando ao seu lado após seus pesadelos para fazê-la dormir, seja ensinando-a  a ler no porão - mesmo com a esposa Rosa Hubermann impondo-se um pouco contra tais gentilezas.
À medida que vai aprendendo a ler, Liesel vai pegando cada vez mais gosto pela literatura, furtando livros por aí, ou lendo-os na biblioteca do prefeito, com o consentimento de Ilsa Hermann, a esposa do mesmo.Além disso, Liesel vai à escola e mata seu tempo jogando futebol com os meninos da rua Himmel, onde conhece melhor seu grande amigo, e vizinho, Rudy Steiner.
Como se já não fosse uma história boa o suficiente, Liesel e sua família têm de esconder em seu porão um judeu, chamado Max, para cumprir uma promessa que Hans fez a um velho amigo. Liesel e Max se transformam em grandes amigos, compartilhando histórias, livros e sonhos.
Por trás de toda essa trajetória, está o nazismo, a adoração a Hitler, a guerra e a morte.

O que mais me chamou atenção no livro, foi o fato de ele ser narrado pela morte. Quem imaginaria? Uma história narrada pelo ponto de vista de um personagem tão diferente como a morte! 



''Quando a morte conta uma história, você tem que parar pra ouvi-la.''

Há outro ponto bem interessante para os leitores,como já fica explícito no próprio título do livro: Literatura. Ela está sempre presente no enredo. Liesel sabe admirar as palavras, carregá-las, saboreá-las. Aprendi a usar melhor as palavras após a leitura.

A história é envolvente, o autor sabe prender o leitor ao livro, dar vida ao livro. 

Os personagens são maravilhosos. Tanto que fica difícil escolher apenas um favorito. Embora tenha gostado muito de todos - sim, todos!- meu favoritos são Hans, Max e Rudy.

Hans tem aquele jeito doce de lidar com Liesel, ajudando-as sempre que possível - e até quando não é possível - tocando seu acordeão, ou fazendo desenhos para ver a menina sorrir.



Max, se torna uma inesperada fonte de felicidade, quando o que sua situação menos dispõe é a própria felicidade. Assim como Liesel, Max sabe brincar com as palavras, e usá-las da maneira correta. A amizade dos dois é totalmente linda e cativante. Não há como não se apaixonar por Max.


"Muitas vezes, Liesel, eu gostaria que tudo isso acabasse, mas aí, de algum modo, você faz alguma coisa como descer ao porão carregando um boneco de neve."

Já com Rudy Steiner, a amizade é diferente. Ainda assim, por trás de xingamentos, tapas, e quedas, há um Rudy apaixonado, companheiro e amável, que Liesel sabe como lidar e prezar.



Que tal um beijo Saumensch?

Markus Zusak sabe o que faz, e faz com categoria. Não há uma palavra sequer no livro, que não esteja bem encaixada, que não esteja perfeitamente bem, ali onde está. As palavras de Zusak sabem tocar o leitor de uma maneira indescritível.


Embora A Menina Que Roubava Livros seja um Best Seller, muitos ainda não o leram, e a grande maioria se queixa de ter um início muito chato, sem graça, etc, e por isso, acabam abandonando-o.Também cometi esse erro, e abandonei o livro na página 80, antes de tornar a lê-lo. Por isso, aqui vai uma última dica, para quem ainda não leu, vai ler, ou abandonou o livro: Não desista. Embora as primeiras 100 páginas possam ser um pouco entediantes, as próximas 300 compensarão por isso. Mesmo que ache o início ruim, vale muito à pena esperar e se surpreender com o restante da história.

Um livro magnífico, cativante, mágico e irreverente está à sua espera!

19 de outubro de 2013

Resenha #11: Cidades De Papel



        Aqui vai a resenha de mais um livro do John Green. Acho que já deu pra perceber o quanto gosto do autor. Mas, vamos ao livro?

Cidades De Papel conta a história de Quentin Jacobsen - conhecido por seus amigos como Q -, um jovem de 18 anos, que possui uma paixão platônica por sua vizinha, Margo Roth Spielgerman, desde a infância, quando costumavam brincar e andar de bicicleta juntos. Porém o tempo passou e as vidas de Q. e Margo seguiram rumos diferentes. Embora ainda sejam vizinhos, Margo é linda e super popular, enquanto Quentin é apenas mais um jovem nerd com poucos amigos.
Um belo dia - ou melhor, uma bela noite - Margo aparece à janela do quarto de Q. vestida de ninja e com o rosto pintado de preto, e o convida - praticamente intima - a participar durante aquela noite em um plano de vingança elaborado por ela. Quentin aceita, é claro, e parte nessa aventura junto com Margo, na esperança de que no dia seguinte, tudo volte a ser como era na infância e que sua linda vizinha finalmente o note. Porém, o que acontece no dia seguinte é totalmente o contrário do esperado por Q. Margo não vai à escola, e fica sabendo que ela está desaparecida. Quentin descobre que Margo deixou para trás algumas pistas e a partir daí, se inicia uma longa jornada em busca do mistério que é Margo Roth Spielgerman. Aos poucos, enquanto procura por Margo, Q. vai descobrindo que ela não era exatamente o que ele achava que era, que ela era humana assim como ele, que ela tinha defeitos e problemas, assim como ele. 


“É muito difícil para qualquer um mostrar a nós como somos de fato, e é muito difícil para nós mostrarmos aos outros o que sentimos.”

Como em todos os livros de Green, a narrativa é impecável, e o ernredo totalmente coerente. As pistas deixadas por Margo e a maneira como Q. desvenda tais pistas, dão o toque inteligente que é característico à escrita do autor. Infelizmente, achei que o autor deixou a desejar no quesito originalidade, no que diz respeito aos personagens. Por exemplo: Quentin me fez lembrar de Miles (de "Quem é você Alasca?"), com toda sua devoção por Margo, assim como Miles tinha por Alasca. Margo me fez lembrar a própria Alasca, com seu jeito "você-não-sabe-quem-sou-eu" de ser. Bem no estilo "menina mistério". Ben, o melhor amigo de Q. me lembrou muito (muito mesmo!) Hassan, de O Teorema Katherine, com seu jeito brincalhão e despreocupado. Mas, antes que perguntem, não, eu não odiei os personagens. Na verdade, eu os amei! Todos eles são maravilhosos, tanto os principais como os secundários, e me apeguei bastante a cada um. Porém acho que poderiam ter sido construídos com mais originalidade. Apenas isso.



"- Nada acontece como a gente acha que vai acontecer."- Verdade. Mas, se você não imaginar, as coisas sequer chegam a acontecer."

De qualquer forma, a trama não deixou a desejar.

        Durante o livro, Quentin cita muito o poema "Folhas de Relva", de Walt Whitman, já que tal poema faz parte das pistas deixadas por Margo. Achei essas citações incríveis e deram muita vida à história. O livro faz com que o leitor, pare e reflita um pouco sobre a vida, sobre a existência em si.


“É como se cada um tivesses começado como um navio inteiramente à prova d’água. Mas as coisas vão acontecendo… as pessoas se vão, ou deixam de nos amar, ou não nos entendem, ou nós não as entendemos… e nós perdemos, erramos, magoamos uns aos outros. E o navio começa a rachar em determinados lugares. E então, quando o navio racha, o final é inevitável.”

Ah, e um ponto bem interessante sobre o livro é o nome. O leitor só descobre o porque do nome "Cidades De Papel" mais à frente na leitura, porém posso dizer com total sinceridade que achei o nome magnífico. A leitura é leve e fluída, mas sem perder a qualidade. O mistério presente no livro envolve o leitor de tal maneira que ele apenas consegue soltar o livro após terminar toda a leitura (isso baseado em minha experiência).



“Só tenha em mente que às vezes o jeito como a gente pensa em alguém não é exatamente o jeito como essa pessoa é. As pessoas são diferentes quando você sente o cheiro delas e as vê de perto.”

Em Cidades De papel, Green desenvolve uma narrativa sobre a vida, as pessoas como seres individuais e as pessoas em geral, como um todo. Cidades De Papel é um livro inteligente e apaixonante, que não deve ficar de fora da lista de leitura dos fãs do autor - e também dos que não são fãs, mas que apreciam um bom Young Adult. 
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