12 de dezembro de 2013

Resenha #15: Um Dia

Título: Um Dia
ISBN: 9788580570458
Páginas: 416
Editora: Intrínseca
Ano: 2011
Assunto: Literatura Estrangeira / Romance












Duas pessoas. Vinte anos. Um dia por ano na vida de cada um deles.
Assim é narrada a história de Um Dia.

Emma Morlei e Dexter Mayhew se conheceram no último dia da faculdade, ficaram juntos, e desde então têm mantido contato.
Emma têm uma certa "queda" por Dex, porém eles são totalmente diferentes. Enquanto Emma é intelectual e, de certa forma, nada otimista, Dexter é fã de loucuras, bebidas e acredita que tudo sempre acabará bem para ele. Dex, embora não assuma, também fica mexido com Emma, porém ele não gosta de se sentir preso a nada nem ninguém. Ainda assim, eles se tornam grandes amigos – Em e Dex, Dex e Em. Sempre escrevendo ao outro, Dex contando de suas viagens pelo mundo e Em de seus trabalhos infelizes.

No início do livro, os personagens estão no auge de sua juventude, com seus vinte e dois ou vinte e três anos. É maravilhoso acompanhar o crescimento – ou às vezes nem tanto crescimento assim – dos personagens. A cada capítulo, a cada dia 15 de Julho, ficamos sabendo o que mudou na vida deles durante o último ano, acompanhando-os em suas buscas, sejam elas profissionais ou amorosas.

Os personagens não são lá essas coisas. De um a dez, note seis para eles. Emma, embora seja inteligente e – talvez – carismática, não sabe o que quer da vida, e seu instinto derrotista é forte demais em certos pontos do livro. Mas, calma lá, eu não a odiei. Só não acho que ela seja minha “mocinha favorita”.
Já Dexter é extremamente despreocupado com a própria vida, é do tipo “sou o cara”, e às vezes acaba menosprezando os outros ao seu redor. Ainda assim, não acho que ele seja um personagem totalmente ruim. Ao longo da narrativa, podemos ver que ele não é uma má pessoa, mas que apenas não sabe como agir quando confrontado com certas situações – mal orientado, talvez?

“Embora não fosse sentimental, havia ocasiões em que Dexter podia ficar quieto vendo Emma Morley rir ou contar uma história e saber com absoluta certeza que ela era a melhor pessoa que conhecia. Às vezes quase tinha vontade de dizer isso em voz alta, interrompê-la para fazer essa afirmação.”

Já vou lhe preparando: não espere um conto de fadas. Um Dia é o tipo de livro real, nem otimista, nem pessimista. Realista. Intenso. Especial.

Tanto Em como Dex sofrem muitas decepções ao longo do livro; decepções com outros e, principalmente, consigo mesmo. Na maior parte do tempo, eles não são quem gostariam de ser, não têm o que gostariam de ter, nem estão com quem gostariam de estar. Eles simplesmente ainda não acharam onde a vida deles se encaixa neste mundo. O problema é que o tempo passa, e eles não vão ser jovens para sempre.

A escrita de David Nicholls foi a melhor surpresa do livro. É profunda e com um certo “tom” irreverente. Ela te transporta para onde os personagens estão. Faz com que o leitor entenda quem realmente são Em e Dex – o que é difícil quando se trata de uma narrativa em terceira pessoa. É aquele tipo de escrita único, que você bate os olhos e diz: “Uau. Esse cara nasceu pra escrever”.

Li o livro em pouco tempo, uns três ou quatro dias, se não me engano. A única coisa que consegui fazer quando terminei foi chorar, ficar paralisada e pensar cada vez mais na vida. Na minha vida. Na vida de Dex. Na vida de Em.

Já vou lhe avisando: você só tem duas escolhas. Ou você vai amar ou odiar Um Dia.


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