14 de setembro de 2014

Ansiedade

E eu que dizia
"Esqueça o passado"
Não conseguia esquecer.
Estava aqui guardado,
Parecia que nunca iria morrer.
E eu que dizia
"Foque o presente"
Me fiz tão ausente.
Esqueci que presente é dádiva
Que se usa de uma vez
(Mas com precaução).
E eu que dizia
"Aguarde o futuro"
Ansiei o mesmo com toda a força.
Esqueci que sou apenas moça
E não heroína de romace famoso.
Falei tanto e nada fiz.
Assim, de que adianta?
Mas a ansiedade é tanta
Que vira rocha e esmaga o coração.
Nenhuma canção traduz
Nenhum feixe é de luz
Nenhuma descrição faz juz.
Às vezes a gente é que complica
Que guarda o que não necessita ser guardado
Não fala o que deveria ser falado
Não preza o que deveria ser prezado.
E aí qualquer pontinha de dúvida vira dívida.
Com a vida
Cosigo mesmo
Com que se ama.
Qualquer pocinha vira lama
Qualquer gota é tempestade
Qualquer desgosto e já não ama
Qualquer zunido é alarde.
Mas sempre tem alguem
Que te busca
Que te puxa
Que te bate
Até que você acorde.
Saiba, nós temos sorte.
Porque há sempre alguém mais forte
A te esperar e te ajudar
A não ansiar tanto a vida.
Obrigada! Obrigada!
Quando se sente amada
Você aprende.
Qualquer ferro é espada
Nenhuma palavra é errada,
Nenhuma saída é arriscada.
Entradas e saídas surgirão
Estradas de asfalto e estradas de chão.
E só você vai poder dizer por onde passar.
(E se tiver a quem amar, tudo fica melhor!)

[Ansiedade; Dayenne Vieira]

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