ps: Não pude tirar fotos do meu livro. A imagem acima é de autoria do blog prateleiracolorida.blogspot.com
Aqui estou eu, como prometi para vocês, para resenhar o livro Memórias Fictícias. Mas, antes de tudo, gostaria de agradecer à Carina, autora do livro, pela maneira como lidou comigo, com o blog, com uma simpatia enorme. Além disso, o livro veio com uma dedicatória super fofa, e eu amei. Muito obrigada Carina!
Gostaria também de comentar rapidamente o belo trabalho da Editora Novo Século. O livro foi lançado pelo selo Novos Talentos da Literatura Brasileira e o trabalho da editora ficou maravilhoso. Assim que vi o livro, me apaixonei pela capa, em estilo antigo, remetendo realmente a memórias. As páginas amareladas, o espaçamento, tudo ficou lindo demais! Enfim, é uma ótima edição. Agora, vamos à resenha?
A história de Memórias Fictícias é dividida em quatro diários, escritos por três pessoas. O primeiro, é escrito por Coralina de Lilá (Coral). Coral e sua mãe estão se mudando para um novo lar, onde viverão com uma parente distante que até então não conheciam. Lá, elas -principalmente a mãe de Coral- esperam encontrar respostas sobre sua família, sobre as gerações passadas. A casa pertence à Bianca Giacomina, uma freira velha e misteriosa. Coral não está nem um pouco contente com essa mudança. Ela acredita que sua vida, até então normal e sem graça, só vai piorar com isso.
"E é sobre isso que essa história trata, o meu desespero em não morar nesse mundo tão sem cor, tão vazio. Era como se, desde que eu começara a viver, estivesse morrendo aos poucos."
Assim, que chega em seu novo lar, um detalhe chama a atenção de Coral. Uma torre, no alto da casa, diferente de todo a construção. Mal sabe ela, que essa torre será o "palco" de algumas de suas grandes memórias. Talvez reais. Talvez fictícias.
- "Que pensa de minha torre?"
- "Ela não combina com a casa, irmã."
Embora irmã Giacomina tenha deixado bem claro que ela não deveria fazer isso, Coral se sente cada vez mais atraída àquela misteriosa torre e não para até que encontre a entrada para ela. Além das maravilhas que envolvem aquela torre (não vou entrar em detalhes pois poderão ser tratados como spoiler), Coral se vê apaixonada pelo misterioso e estonteante dono dos "olhos de universo", Érus. Daí, sua vida muda completamente, passa a ter cores diferentes, ares diferentes e memórias diferentes. O problema agora é diferenciar vida real e sonho. Coral já não sabe mais a diferença entre os dois.
"Quando acordava, não conseguia entender o que era a realidade: o sonho ou a vida."
Os dois próximos diários são escritos por Irmã Giacomina. O primeiro dos dois diários escritos por ela intitula-se "Érus" e conta toda a história e revela todo o mistério por trás daquela casa, de Giacomina, de Érus, da torre, etc. Para mim, foi o mais esclarecedor dos quatro diários. O segundo diário escrito por Giacomina (terceiro do livro) é intitulado "Coralina de Lilá" e, basicamente, completa o diário de Coral.
O último diários é escrito por Érus, onde podemos conhecê-lo melhor, saber sobre sua paixão e loucura por Coralina. E além de complementar os outros, o diário de Érus põe um desfecho na história.
"Ela foi a única pessoa real para mim, a única que eu consegui verdadeiramente tocar e compreender. Coralina é um pedaço de mim, nasci já amando-a e já necessitando de sua mente, de seu calor, de seu amor como única forma de conexão com o mundo exterior."
Memórias Fictícias é, em poucas palavras, um livro sobre sonhos, loucura e realidade. Na verdade, sobre a fusão dos três. O livro me surpreendeu logo nas primeiras páginas. A autora promove a curiosidade no leitor, já que todos os mistérios são, de certa forma, desvendados apenas mais à frente. Mas, deixe-me alertá-lo de que alguns mistérios, jamais são resolvidos. A escrita é inteligente e leva quem lê a querer aprofundar-se cada vez mais nos personagens, na história. A leitura é bem fácil. A narrativa é bem fluída e, além de ser um livro fino, os capítulos são pequenos e o espaçamento nas margens é de uma distância razoável. Um ponto bem interessante a ser notado, é o fato de a narrativa, o estilo de escrita mudar a cada diário, mostrando assim que a autora tem grande facilidade em adaptar a escrita aos personagens. As descrições dos locais -de um local em especial- são magníficas. Nelas, o real mistura-se com o imaginário; o tocável mistura-se ao intocável. E tudo de uma forma belíssima! Extremamente instigante. Se pudesse definir Memórias Fictícias em uma expressão, com certeza, seria esta.


