Mostrando postagens com marcador novo projeto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador novo projeto. Mostrar todas as postagens

25 de dezembro de 2013

Um dia normal, com medos normais

O relógio marca exatamente doze hora e quarenta e cinco minutos - conhecidos também como meio dia e quarenta e cinco ou quinze para uma.
Eu deveria estar no trabalho às treze horas. O problema é que chovia muito lá fora e digamos que... Eu não me dê muito bem com dias chuvosos. Um certo trauma de infância. Talvez eu explique isso melhor um dia.
Eu termino de almoçar. Especialidade do dia: arroz queimado, feijão, ovo frito e salada. 
Não me culpe por esse almoço "maravilhoso". Tenho vinte e dois anos, sou solteira e morei na casa de minhã mãe até os vinte e um. É fácil perceber que não sou muito boa com essa coisa de "morar sozinha". Isso é tão triste quanto é real.
Eu lavo as louças ainda restantes.
Vou até a porta, olho para o céu.
Inspira. Expira. Eu lembro a mim mesma.
Reúno toda a coragem que consigo - o que, te garanto, não é muita coisa - e ponho um pé para fora.
Em poucos segundos, estou caminhando em direção ao meu serviço.
E, é claro, a chuva não diminui.
Porque diminuir se isso só facilitaria a minha vida, não é? Isso é apenas uma pequena peça pregada por aquela coisinha linda chamada vida.
Dou passos curtos e hesitantes, até que chego ao ponto de ônibus.
A rua está totalmente quieta, e só há uma pessoa nela: eu.
Dia normal.
Medos normais.
Tudo normal.
Até que alguém vêm correndo - quase voando! - pela rua, molhada e sombria, e cai à minha frente.
Bum!
Em total desespero, corro até ele/ela em uma tentativa de ajudar, mesmo que eu não saiba o que fazer ou como fazer quando chegar lá. 
Cada gota que toca minha pele, atinge-me como uma pequena agulha.
Ainda assim, continuo.
Quando chego mais perto, percebo que se trata de um rapaz. Provavelmente mais velho que eu, embora não deva ter mais de vinte e cinco anos. Pele clara - extremamente clara -, olhos negros, boca rosada. Feições confusas, perturbadas. Ele olha para mim, e sinto como se todas as certezas do mundo fossem falsas. Seu rosto exprime uma profunda desordem.
Ele parece rir, gargalhar, embora sua boca esteja apenas levemente curvada.
O que ri, são seus olhos.
Eles soltam gargalhadas desorientadas e perdidas.
Meus olhos não desgrudam dos seus, nem por um minuto sequer. Simplesmente não consigo.
Soltem-me! Quero gritar para aquele insano par de olhos.
Porém, não o faço, pois sei que sua resposta imediata seria: Nunca!
Quando finalmente saio daquele transe, o rapaz olha para o chão, torna a olhar para mim, levanta-se e continua a correr.
Eu não paro de pensar naqueles olhos.
Um dia normal, com medos normais, se transformou nisso.
Um total pandemônio.
E uma espécie de confusão que eu nunca senti antes.

------------------
Deixe seu comentário, crítica ou sugestão aqui em baixo. Você com certeza fará uma blogueira muito feliz! :)
»


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Layout desenvolvido por Igor Thiago + google images | Todos os direitos reservados. | "Não copie, crie" | Copyright 2013/2014
imagem-logo